14/05 - O Dia Seguinte E Agora: Seminário leva pauta racial e políticas públicas voltadas às pessoas negras para debate e reflexão em Montenegro/RS

A cidade de Montenegro recebeu, no último dia 14 de maio, a 12ª edição do seminário 14/05 - O Dia Seguinte E Agora, realizado pela CUFA RS Montenegro, por meio do projeto Resgate Negro do Vale do Caí.

5/23/20262 min read

O evento nasceu com o propósito de provocar uma reflexão necessária sobre o significado histórico do 14 de maio, o dia seguinte à assinatura da Lei Áurea, data que simboliza o abandono da população negra pelo Estado brasileiro, sem reparação histórica, inclusão social ou políticas públicas efetivas após séculos de exploração.

Ao longo de 12 anos, o seminário se consolidou como um importante espaço de debate e construção coletiva, trazendo à tona discussões sobre memória, justiça racial, políticas públicas e os desafios ainda enfrentados pela população negra no Brasil.

Neste ano, grandes nomes e pensadores da atualidade passaram pelo palco do Teatro Roberto Athayde Cardona, em Montenegro, no Vale do Caí, promovendo reflexões profundas sobre racismo estrutural e caminhos possíveis para transformação social.

Um dos momentos centrais da programação foi o painel “Humanos: um raio X da vida real”, que reuniu Celso Athayde, fundador da Central Única das Favelas e da Favela Holding, escritor e empresário de impacto social do ano, Marcus Vinicius Athayde, presidente global da CUFA e vice-presidente do Instituto Data Favela, e Antônio Padilha, secretário executivo do programa RS Seguro.

Durante sua fala, Celso Athayde trouxe uma reflexão contundente sobre a necessidade de reconhecer os erros históricos que atravessam a formação da sociedade brasileira e sobre a potência que segue pulsando nas favelas e periferias, apesar das desigualdades impostas por esse processo.

Para ele, compreender essa trajetória é fundamental para corrigir distorções históricas e construir um país mais justo.

O debate também abordou desigualdade, exclusão histórica, segurança pública e a urgência de compreender a realidade das periferias a partir da perspectiva de quem vive nesses territórios.

Além do painel, o seminário contou com a participação de nomes como Zezé Motta, Tia Má, Negra Li, Selminha Sorriso, Kelly Mattos, Bia Araújo e Gabi Valente, entre outras vozes que carregam a pauta racial como compromisso diário de transformação.

Mais do que uma data no calendário, o 14 de maio carrega um significado que muitas vezes passa em silêncio. Ele representa a ausência de políticas públicas e a falta de reparação histórica destinada à população negra após a abolição formal da escravidão.

Ao manter vivo esse debate há mais de uma década, o seminário reafirma a importância de olhar para o passado com responsabilidade e construir, no presente, caminhos concretos de inclusão, reparação e justiça social.