Pesquisas

Lideranças Comunitárias: o primeiro passo para a resiliência

Escritório de Resiliência Climática da
CUFA Rio Grande do Sul

O Escritório de Resiliência Climática da CUFA RS em Porto Alegre, é um ponto de articulação, escuta ativa, construção coletiva e desenvolvimento de soluções práticas para fortalecer comunidades diante da crise climática.

Anunciado durante a participação da CUFA RS na COP 29, no Azerbaijão, o escritório marca um novo momento da atuação da organização no estado. Ele atua como um ponto de ações, pesquisas, articulações e programas que conectam a base das comunidades a políticas públicas, inovação e conhecimento técnico.


PESQUISA ENCHENTES

Mais de dois anos após as enchentes históricas de 2024, o Rio Grande do Sul volta a conviver com eventos climáticos extremos e seus impactos nas comunidades. Esta pesquisa, realizada pela CUFA Rio Grande do Sul, reúne dados e análises sobre a realidade das famílias atingidas, evidenciando os desafios da reconstrução, a recorrência das enchentes e a necessidade de fortalecer políticas públicas, estratégias de prevenção e a resiliência dos territórios.

O estudo oferece um panorama atual sobre os impactos sociais, econômicos e emocionais vividos pela população, contribuindo para o debate e a construção de soluções para um estado cada vez mais exposto às mudanças climáticas.

Pesquisa sobre resiliência e efeitos climáticos

Relatório Supporting Communities Affected by Floods (Apoiando Comunidades Afetadas por Inundações)

O relatório Supporting Communities Affected by Floods – Apoiando Comunidades Afetadas por Inundações é uma ação conjunta entre a Central Única das Favelas do Rio Grande do Sul (CUFA RS), a Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia do Estado (SICT), o Comitê Científico de Adaptação e Resiliência Climática do Governo do RS, o South Summit Brasil e o Regenera RS. O documento reúne o que as comunidades de Canoas, Alvorada e Eldorado do Sul vivenciaram durante as enchentes de 2024, além de apresentar suas principais necessidades e prioridades para enfrentar os efeitos da crise climática.

A CUFA Rio Grande do Sul desenvolveu uma pesquisa, publicada em 08 de abril de 2025, com moradores e lideranças comunitárias da região metropolitana do estado para entender as percepções de resiliência e os efeitos climáticos das enchentes que atingiram.

Materiais de Apoio

Para ampliar o acesso ao conhecimento e fortalecer a formação das lideranças comunitárias, disponibilizamos as apostilas utilizadas durante as capacitações do projeto Lideranças Comunitárias: o primeiro passo para a resiliência. Os materiais reúnem conteúdos sobre prevenção e resposta a emergências climáticas, primeiros socorros, atendimento pré-hospitalar, organização comunitária, gestão de riscos e protocolos de atuação. O acesso é gratuito e tem como objetivo incentivar que esse conhecimento seja compartilhado e aplicado em diferentes comunidades, contribuindo para a construção de territórios cada vez mais preparados e resilientes.

Lideranças Comunitárias: o primeiro passo para a resiliência

As mudanças climáticas já fazem parte da realidade do Rio Grande do Sul. Nos últimos anos, enchentes, deslizamentos e outros eventos extremos passaram a impactar milhares de famílias, especialmente aquelas que vivem em favelas, periferias e áreas de maior vulnerabilidade social.

Foi a partir dessa realidade que nasceu o Lideranças Comunitárias: o primeiro passo para a resiliência, iniciativa da CUFA Rio Grande do Sul, com apoio do Regenera RS, que tem como objetivo preparar comunidades para responder de forma organizada, rápida e segura diante de desastres climáticos.

Mais do que um curso, o projeto forma uma rede de pessoas preparadas para atuar como referência em seus territórios, fortalecendo a prevenção, a organização comunitária e a proteção da população em situações de emergência.

Preparar para proteger

Durante as enchentes de 2024, a CUFA Rio Grande do Sul esteve na linha de frente da maior mobilização humanitária de sua história. Foram mais de 4 mil toneladas de doações distribuídas, mais de 100 cozinhas comunitárias em funcionamento, lavanderias solidárias, distribuição de cartões-refeição e uma ampla rede de voluntários atuando em todo o estado.

Essa experiência mostrou que agir durante a crise é fundamental, mas preparar as comunidades antes que ela aconteça é ainda mais importante.

O projeto nasce justamente desse aprendizado: investir na formação de lideranças locais para que cada território tenha pessoas capacitadas para orientar moradores, organizar respostas, identificar riscos e atuar em conjunto com os órgãos públicos quando novos eventos climáticos acontecerem.

Formação que fortalece os territórios

As capacitações reúnem lideranças comunitárias, moradores de áreas vulneráveis, professores, comunidade escolar e outros atores estratégicos dos territórios, promovendo uma formação que combina conhecimento técnico e mobilização social.

Entre os conteúdos desenvolvidos estão:

  • Atendimento pré-hospitalar;

  • Primeiros socorros;

  • Suporte básico de vida;

  • Protocolos de emergência;

  • Avaliação e gestão de riscos;

  • Resgate e mobilização de vítimas;

  • Comunicação em situações de crise;

  • Educação climática e organização comunitária.

Além da formação presencial, o projeto prevê a implantação de sistemas comunitários de alerta e monitoramento e ações educativas nas escolas, utilizando tecnologia de Realidade Virtual (VR) para sensibilizar estudantes e professores sobre prevenção e resposta a desastres.

Onde o projeto acontece

A primeira etapa do projeto contempla os municípios de Canoas, Alvorada, Eldorado do Sul e Vale do Taquari, regiões fortemente impactadas pelos eventos climáticos recentes.

As primeiras turmas já foram realizadas em Alvorada, Canoas e Eldorado do Sul, formando lideranças comunitárias para atuação em seus territórios.

A próxima etapa será realizada em Lajeado, município escolhido em razão das fortes chuvas registradas recentemente no Vale do Taquari, que voltaram a deixar centenas de famílias desalojadas. A decisão reforça o compromisso do projeto de atuar onde a necessidade é mais urgente, levando capacitação e fortalecendo a capacidade de resposta das comunidades mais afetadas.

Um projeto inovador

Um dos diferenciais do programa está na formação realizada em Canoas, que reúne lideranças comunitárias, egressos do sistema prisional e pessoas em regime de semiliberdade em um mesmo processo de capacitação.

A iniciativa alia prevenção climática, fortalecimento comunitário e reinserção social, demonstrando que a construção de territórios mais resilientes também passa pela inclusão, pelo protagonismo e pela valorização das pessoas.

Construindo comunidades mais resilientes

O Lideranças Comunitárias: o primeiro passo para a resiliência acredita que a preparação salva vidas.

Ao fortalecer lideranças locais, integrar comunidades com Defesas Civis e prefeituras e promover uma cultura permanente de prevenção, o projeto contribui para que os próprios territórios estejam mais preparados para enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas.

Mais do que responder às emergências, a iniciativa constrói comunidades mais organizadas, conectadas e resilientes, capazes de proteger vidas, fortalecer vínculos e transformar conhecimento em ação.